Hoje vamos começar uma nova coluna no WoWGirl: A Conheça o Personagem, onde vamos trazer detalhes da história dos principais personagens de World of Warcraft. Pra começar, vamos conhecer um pouco do atual Warchief da Horda, Garrosh Hellscream [Garrosh Grito Infernal]

Um dos personagens mais polêmicos de todo o mundo de World of Warcraft com certeza é o Orc Garrosh Hellscream, filho de Grom Hellscream. Seu modo de agir e tudo que ele fez ou representou na Lore do mundo de Azeroth e Outlands [Terralém] até hoje, sempre causou impacto de formas variadas, sendo bem visto ou odiado, porém, nunca ignorado.

Agora, o que é que você sabe da vida desse Orc nascido pra liderar e ao mesmo tempo tão repudiado pelo próprio povo? Preparamos esse artigo para mostrar um pouco o outro lado de Garrosh, e assim, quem sabe ajudar a compreender esse personagem tão denso que temos no jogo.

Alguns novos jogadores que só tenham personagens na Horda podem apenas conhecê-lo pelas breves passagens que ele representa em quests espalhadas pelo Cataclisma ou os da Aliança no desafio em que matar líderes da facção rival vale uma bela montaria de ursinho.

Toda história de Garrosh está diretamente ligada a de seu pai, Grom Hellscream, ou pelas marcas que os atos do pai deixaram no ainda menino e futuro líder. Sua infância foi cruel, numa época onde seu povo fora assolado por uma praga e todos os contaminados eram enviados para uma colônia de quarentena, Garandar em Nagrand. (O que ironicamente viria ser a salvação dos enviados e seus descendente, num futuro dentro do jogo.)

Deixado nessa colônia por seu pai, o menino-orc passou muitos dos primeiros anos de sua vida, assolado por essa doença (Varíola vermelha) e pelo fantasma do pacto que Grom fizera ao beber o sangue do demônio Mannoroth, escravizando assim seu povo no “Frenesi”.

Sem mais noticias sobre o que acontecera, o menino-orc cresceu atormentado e fraco, livrou-se da doença física, mas não a psicológica. A desgraça causada ao seu povo o atormentava todo o tempo.

Os jogadores da Horda podem compartilhar um pouco dessa história quando fazem as quests em Nagrand e vêem o resultado dessa infância atormentada. A Grande Mãe, Gayah, que vinha tentando preparar o agora jovem Garrosh para assumir seu posto de líder do seu povo pede para que os membros da horda tentem convencê-lo a aceitar seu destino.

Garrosh, durante as quests em Nagrand

Entretanto, Garrosh ainda está preso ao fantasma do fracasso que lhe esteve sobre os ombros durante toda sua vida, a única herança deixada por seu pai, e se sente incapaz e até indigno de tomar esse posto, e continua se negando a aceitar seu destino até que surge Thrall.  Um antigo amigo de Grom, que estava presente na batalha final com Mannoroth, e quando soube da existência de um filho desse amigo, viajou até Outlands para revelar ao Orc a verdade sobre seu pai que ninguém em Garandar conhecia. A verdade que era realmente importante:

Grom Hellscream havia quebrado o pacto com o demônio e numa luta épica dera a vida libertando assim todos os orcs da escravidão demoníaca.

 

Para Garrosh isso foi como se anos de escuridão tivessem sido esquecidos em vista da nova luz que surgia em sua vida, seu pai não era de fato um traidor, um covarde, era um herói. Ele havia lutado até o fim em prol de seu povo, trazendo novamente a honra para sua linhagem.  Foi então que sentiu seu sangue correndo forte nas veias e aceitou que era um líder.

Thrall movido pela amizade à Grom e pela intuição de que Garrosh poderia vir a ser útil em Azeroth, convida-o para conhecer o mundo onde seu pai era visto como o herói que fora, e o jovem-orc aceitou. Nesse momento, uma nova etapa se iniciaria em sua vida.

Ao chegar à Orgrimar, ele ficou maravilhado com tudo aquilo, jamais em sua vida tinha visto tantos orcs. Orcs livres. Porém, nem tudo continuaria maravilhoso como a primeira vista; logo ele também conheceria os aspectos desse novo mundo e dessa nova Horda.

Sendo um orc puro – não afetado pelo Frenesi – a cor de sua pele era marrom e não verde como os demais orcs, e obviamente isso não passara despercebido e não demorou para que isso o tornasse objeto de curiosidade e até mesmo preconceito por lembrar ao povo de Orgrimmar a corrupção que sua raça sofreu com o sangue demoníaco.

Conhecendo mais a fundo o dia a dia na capital dos orcs em Azeroth, Garrosh descobriu que as coisas eram bem mais difíceis do que imaginava assim que chegou. O povo vivia em dificuldade, localizados no meio de um deserto, quase marginalizados.

Parte da população aceitava e entendia os motivos de Thrall em mantê-los ali e liderando seu povo com calma e sempre disposto a parlamentar ao invés da guerra. Entrementes, a outra parte achava que mereciam algo melhor à qualquer custo.

Um novo tormento começou a crescer dentro de Garrosh devido a essas condições que vinha observando. Ele havia sido criado, apesar de tudo para ser um líder, um guerreiro. E para um verdadeiro orc como ele, era confuso ver que Thrall ao invés de lutar contra seus inimigos, estava parado, parlamentando enquanto seu povo sofria.  Ele não conseguia entender essas coisas e novamente aquele sentimento de frustração e impotência que o atormentava em Nagrand, voltava a ganhar espaço dentro dele.

Eis então que surgiram noticias sobre a Scourge em vários pontos do mundo e algo muito ruim estava se formando no Norte. (Quem joga desde a época da Burning Crusade certamente viveu esse momento.) Diante desses fatos, tomado pelo seu instinto guerreiro, Garrosh prontamente se coloca para liderar um exército para Nortundria e iniciar a campanha contra essa grave ameaça.

Um conselho foi formado para decidir o que haveria de ser feito e Thrall quis procurar saber mais sobre que medidas a Aliança tomaria em relação a esses acontecimentos e isso foi a gota d’água para Garrosh, julgando essa ideia um disparate, um verdadeiro absurdo.

E diante disso, Garrosh explode contra seu Warchief, pois em seu sangue guerreiro deseja partir logo com seu exército e esperar para agir em decorrência das medidas tomada por outros e pior ainda, por seus inimigos, é inconcebível! E dessa explosão, resulta uma luta entre os dois, Hellscream e Thrall.

Para sorte do impetuoso Garrosh, essa luta é interrompida por um ataque feroz da Scourge em Orgrimmar. Após a invasão ser contida, ele praticamente “joga na cara” de Thrall que se não tivessem ficado esperando e dado o primeiro passo, poderiam ter evitado as perdas que tiveram e questiona o que o Warchief fará diante disso. E assim Garrosh consegue seu intuito e segue com seu exercito para Borean Tundra tendo Varok Saurfang ao seu lado.

E mais uma vez, uma virada acontece na vida do filho de Grom Hellscream, pois finalmente ele tem a oportunidade de provar que tem sangue de um herói e ver seu próprio nome exaltado pelos feitos nessa investida contra o Lich King.

Garrosh consegue muitos feitos, de fato, porém, ainda demonstra forte oposição em relação a diplomacia exercida por Thrall com a Aliança.

Quando em Ulduar é descoberto que deuses antigos estão se levantando e tomam conta do lugar, Archmage Rhonin, o regente de Dalaran convoca o líder da horda para uma ‘reunião’.  Thrall acata o chamado e leva Garrosh com ele.

Porém, Garrosh perde as estribeiras após alguns insultos lançados por Varian (Que poderia ser comparado ao Orc em temperamento e repulsa pela facção oposta) e suas atitudes envergonham Thrall.

Ao saírem de Dalaran, Garrosh leva o Warchief para conhecer sua base e ver o que já havia feito pela Horda.

Nesse momento vemos que o filho de Hellscream não é apenas um guerreiro com sede cega de sangue. Pois quando os dois chegam à Warsong Hold recebem uma carta com informes sobre acontecimentos do seu exercito em Icecrown.

E a carta é motivo de grande desgosto para Thrall e confusão para Garrosh. Pois nela era descrito com orgulho que um grupo de soldados da Aliança havia sido covardemente atacado pela Horda enquanto tentava tomar um posto avançado da Scourge. O general é chamado à presença de ambos e ali Garrosh dá uma prova à Thrall que ele pode sim, ser um líder com sabedoria.

Tal general é retaliado, o que o exército fez não foi uma atitude honrada para a Horda, aquilo fora uma atitude covarde e como Garrosh já havia citado antes em Dalaran. “Um verdadeiro Warchief jamais seria parceiro de covardes”.

Posto isso, temos a derrota do Lich King e um Garrosh vitorioso voltando para Orgrimmar e sendo adorado por todos, como um grande e valoroso guerreiro e líder de batalha.

Nem bem o povo se vê livre desse perigo, alguns Cultistas começam a pregar o fim do mundo, e Thrall pressente que algo está para acontecer, então eis que surgem os eventos das invasões dos elementais e para investigar isso, ele precisa se retirar de Azeroth. E para isso, precisa deixar alguém com o manto de Warchief, para surpresa de muitos ele escolhe o filho de Hellscream.

Apesar de surpreender os demais lideres com sua indicação para o titulo de Warchief da Horda, eles concordam. Depois disso Thrall deixa esse cenário e parte em sua missão, deixando um Garrosh orgulhoso de si mesmo em seu lugar e com um espírito de guerreiro tendo que aprender a liderar de forma política com seus aliados.

A partir desse ponto muitos de nós sabemos o que acontece, não é? Seu desentendimento com Voljin, seguido de uma “ameaça” no fundo. Mais a morte de Cairne, líder dos Taurens.  Uma morte arquitetada de forma traiçoeira pela Grimtotem Magatha.

Sem saber que sua arma havia sido envenenada, Garrosh aceitou o desafio de Cairne. Embora, ambos soubessem que apenas um sairia com vida, pretendiam lutar de maneira honrada e isso lhes foi tirado devido a armação de Magatha.

Fan art ilustrando a luta de Garrosh e Cairne Bloodhoof

Depois desses deslizes iniciais, Garrosh aos poucos precisou a aprender a lidar com seu temperamento e principalmente com a necessidade de seu povo. Modificou toda Orgrimmar, abriu espaço para mais membros da horda que precisavam de acolhimento após o Cataclisma…

Em variadas situações e locais o jogo irá nos mostrar um Garrosh por vezes bruto e noutras justo, cabe a conhecer a Lore para tentar compreende-lo.

Como podemos julgar uma personagem como ele? Criado para um legado que devido a meias verdades vinha carregado de um peso cruel e com medo de sucumbir ao mesmo erro que todos julgavam que seu pai, Grom, havia cometido?

Ainda temos o fato de ele ter nascido e crescido livre nos campos verdes de Nagrand, apesar da doença e dos fantasmas que lhe atormentaram a infância e a juventude. E ele ainda tem o espírito de “lobo selvagem”.

Parlamentar e negociar com seus inimigos ao invés de ir à luta por seus objetivos, ainda parece não fazer parte desse novo Warchief.
E a pergunta que nos resta é: Onde isso irá levá-lo?

*Texto por Nimphadora